quarta-feira, 8 de abril de 2026

 As coisas mudaram
e você não seria aceito
se voltasse novamente.
A Esperança, como nós
se retira e diz:
-É melhor ir embora daqui!
Nem ela acredita
que aconteceu com o nosso
estado de bem-estar social.
Segurávamos as mãos, mas
quebrávamos as mãos dos colegas.
O cinema nos mostrava o que acontecia.
Vivíamos em um lugar silencioso, com uma caixa de pássaros.
 Eu já andei e cansei
um tempo atrás.
Sem teto, quase louco,
era só um rapaz.

Já sem paz, eu sentia a guerra,
e diante da morte, saudade da minha terra.
Cadê a salvação que estava aqui?
Talvez esteja na entrelinhas 
do que já vivi.
E o que senti.
Ficará em minhas vistas
fadigadas que a terra há de deglutir.

Então veja como são os planos.
Em meio a crise, quem cresce são donos de bancos.
Que ninguém se senta e você até tenta.
Se quiser se aposentar, só se você for se tentar.
 Acho que sou observado
pelo BBB de Deus.
Que usa os olhos do Bem-te-vi
como câmera, para me ver
maldizer no meu quarto coisas
que me coloquem em um paredão.
 Árvores secas junto a mim,
transmitem o sentimento
da minha poesia.
Correspondente as folhas tortas
que representam aqueles que não se indireitam.

Sento no meio do quintal
para fazer desenhos que não sei.
Sufoco sentimentos no trago do brau
e espero que ele me leve pro lugar 
onde eu não penso.
Falho!

O primeiro dia do ano é 
cheio de novas decepções.
 É perverso o mundo que vives.
Cachoeiras a por água abaixo.
Não tem mais a casa que resides
e a vida parece um fardo.

Você quer ter uma arma, 
procura vingança.
Seu mundo é uma praça
e a vida parece uma gincana.

Nesta vida não temos transporte,
vendemos matéria-prima.
Eles nos vendem a morte
e o que me faz vivo é a poesia.
Verdades absolutas,
quem disse que você vivia?
Escravos do dinheiro,
quem diria?

Haja com sabedoria
pois vem chegando a hora.
Aprendar a chegar e 
saiba a hora de ir embora.

O principal conceito da naturezaé evoluir.
Quantas vezes me virei pra sobreviver.
Algumas vezes só tinha palavras pra comer.
Vários nós na garganta, eu quase desisti.
 A primeira lembrança de existência que carrego comigo, eu devia ter três ou quetro anos de idade e estava em frente a minha casa na Rua da Amizade, onde morava com minha mãe, meu pai e meus irmãos.
A rua ainda era de terra e não havia calçada, nossa casa era feita de  madeira e pintada de azul, separada por uma cerca do resto da rua.
Eu e Raelizo tocávamos uma bola, um para o outro. Raelizo toca a bola para mim e quando ela toca meus pés, era como se ela havia ligado-me. Primeiro a bola, e então meu olhos subiram e comecei a observar tudo em minha volta. Essa curiosidade me acompanharia pro resto da vida.
A partir daí, nascia uma necessidade enorme de observar as coisas, saber como funcionam, conhecer. Os primeiros que conheci foram as pessoas da minha família. Meus pais, Maria e Sebastião, meus irmãos, Sandrinha, Milane, Selma, Marcos, Raelizo e eu, Rafael.
Morávamos num bairro na periferia de Altamira, em terrenos de propriedade da Prelazia do Xingu, pagando mensalidades de alugueis populares. Era época que nosso terreno era imenso, cheio de árvores e plantas e havia somente a nossa casa no lote.
Altamira ainda era um pequeno município aberto no meio da amazônia e estuprado pela Transamazônica. Energia ainda era comandada por um gerador e tinha hora para desligar e as brincadeiras se esticavam noite à dentro pelas ruas.
 São campinas, configuradas sob
processamentos de dados.
O jogo do verbo final,
a carnificina dos sentimentos,
bole um,
dois, quantos achar necessário
e você verá que a lombra não muda.
Seria a mesma de dois pegas.

Eu corri a Goiás inteira
e encontrei dez peças
que facilitaram minha permanência
e configurei-me de volta a vida real.

 MÁQUINA DE MOER CINZENTA

Então sobrou você,
para suportar a fúria dos meus
dedos famintos por poesias.
Alguns ainda batem em minha porta 
em busca de notícias sobre os poemas
novos, em busca de vestígios de sua
presença, seja um rabisco.

Os dedos entram entre as teclas
ansiosos por palavras que siginificam 
algo, seja talvez o sorriso da foto.

Você foi criada para mim,
mesmo enquanto permanecia sob os
cuidados daquela pequena senhora
que depois veio passar a sua neta
que vendera a mim.

Hoje você me suporta com esses dedos
ainda estranhos que muitas vezes lhe 
faltam com cuidado.

E ainda te tornarás meu objeto de luxo
símbolo de minha existência, 
objeto essencial para se conhecer 
a alma do poeta.
 Era assim
todos os dias um
quem sou eu ?

Maldito existecialismo 
das pessoas
que pensam.

E minha gata
toma seu banho 
de língua.

Sentidos
sejam quais forem eles,
de vazio eu 
entendo.

E meu amigo 
se queixa como eu 
e parecemos sempre
pessimistas.

Minha gata
deita sua cabeça 
em minha mão.
E tudo parece
fazer sentido.

Então logo 
ela se lança
em mais uma
caçada.
 Eu sempre estive perdido,
nunca me encaixei.
Desde sempre me procuro
e nunca me achei.

Perdido, rodei todo os lugares
para experimentos, conheci e 
aceitei todas as diferenças.
Mas a maior diferença estava em mim.

Eu era o único cara que eu
conhecia que escrevia poemas.
Todos os outros estavam escrevendo
artigos, resenhas, textos no Facebook.
Enquanto eu, diminuia palavras
e tentava ser direto para que me entendessem.

Hoje não entendem o porquê
que não ligo para a grana que
posso gerar com a poesia. 
Talvez nunca tenham sido poetas,
apenas comerciantes.
 Quem vai dizer que tudo
se acabou, olha aquela pomba,
veja como voou.

Bebi uma dose refinada 
de um uísque comprado
no Rajastão.
É o teu doce beijo que me 
lembra das pequenas e belas 
coisas que guardo no coração.

Quando fostes ao supermercado,
eu pensei em fazer uma surpresa 
para você.

Aquele tempo era bom para todo mundo.
A gente só pensava em ficar junto.
Se amando a noite inteira.
Tomando banho de banheira.

Agora vê se me esquece, 
nosso lance não se repete.
Eu tô amando a festa inteira,
dizendo um monte de besteira.
 Eu queria poder chupar 
essa bucetinha,
deixá-la molhadinha,
enquanto minha língua
encaixa nela como um 
beijo de cinema.

Te levantar, socar 
meu pau forte, que o barulho 
seria orquestrado.

Te amar de uma forma sincera, 
mostrada pela melhor parte dela.

 NEO-SOFISMO NARCISISTA

Louco e insano parto
para a viagem que já não
vejo em mim.
Cantos em todos os contos.
Partira devoto sem fim.
Sou um rockstar confuso,
um poeta tupiniquim.

Quero conhecer meu pais,
saber se no Maranhão 
dos anos 60 tocava
Beatles ou Gonzagão.

Eu sou o silêncio
depois do fim.
 Eu passei duas semanas
naquele quartinho no Centro.
Eram vários inquilinos 
no mesmo lote.
Onde o senhorio mantinha
uma lanchonete na frente.

Nós atados, colados uns nos outros.
Nós que nos juntaram nesse universo.

Todas as noites quando eu 
chegava, tinha aquelas pessoas
com suass latinhas, baforando
a incontável pedra do dia.

Vi ele agindo um dia
com todos os olhos em volta,
cegos.

Por trás do portão começava
a segunda fase dos rejeitados
da sociedade, todos eles viviam 
em extrema guerra de sobrevivência.
Mesmo que fosse para tomar 
só uma latinha no fim de semana.

Quando tínhamos só manga
e tudo era esperança.
 Tripulações de transportes 
sucateados e superfaturados.
O eixo me leva no terceiro vagão.
O último elemento de um processo.

Cada vez mais de um 
campo comum a mensagem 
codificada, transmitida,
recebida, decifrada ou 
decodificada. 

Sorria, 
você está sendo manipulado.

O mundo é tão bonito 
visto pela janela.
A chuva de hipocrisia
vinda aos berros dos carros.
Cada um queria o 
seu direito.

Me pego olhando uma moça
no ônibus, os fatos que a
entusiasmaram, como
surgem e correm os boatos.
Todos a conheciam e suas 
ideias ultrapassaram muros.
E a cor de seu cabelo 
mostrava o que fazia. 

Vá a luta, companheira!
 Concepção anal e todas as
fórmulas de amor, desde a
concepção do ser.
Quando o primeiro ser amou.

Há de estar aqui em 
algum lugar.
Horas escolhendo palavras
para por o poema.

Bebo, fumo, escuto música,
faço os rituais dos escritores
e nada.
Nado na inércia,
no vazio da existência.

As coisas já não tem 
mais ordem dentro de mim.
E tudo isso é bom.
A falta de conforto, o 
confronto permanente.

Quantas vezes no confortamos
com o dia-a-dia e esquecemos
do novo que surge amanhã.


 Palavras, depois que comecei 
a usá-las, percebi que não 
valem muito.
Mas se me tirarem todas,
eu nada serei.

A perda do medo que
assola esse pobre poeta.

Era tudo coisas dos outros 
que me eram dadas ou que 
encontrava por aí.
Vinham até a mim para se
fazer matéria diante da 
folha em branco.

O dia terá outro fim 
no fim deste dia.
 E o balanço, as pessoas, 
o mundo, me perdem.
Abro os olhos e o vento
passa e o pensamento
parte para outra viagem.
Sem casa, sem peito,
abrigo da alma.

O barulho do comboio,
uma boiada de ferro.
Mate-me quando chegar.

Quem eu era ficava escondido
por trás de algum gesto,
esperando um espaço para
mostrar quem realmente sou.
Eu mentia, machucava a mim,
como efeito, machucava os outros.

Eu queria a segurança de 
um lar dentro de mim.
Eu gritei e meu grito 
não era ouvido.
Eu escrevia e o que estava 
escrito, não era poesia.

Eu vejo que não sou para vencer.
Isso é para quem não nasceu em mim.
 Carinho,
o dela era bem 
carinho.

Não aceitava flores.
Não falava sobre amores.

Carinho,
eu só dava carinho.
Mas ela disse não.
 Leve contigo meu coração,
esta noite você provará
do gosto que ficou seu não.

Falar de amor se tornou banal.
E o vento traz uma lembrança tua.

Sou pego pela fadiga dos
amores perdidos.
Procuro as chaves,
não as tenho.
Procuro um abraço,
mas as chaves levaram.

Lapsos de memórias
para esquecer você.

 SENDO SINCERO

Talvez eu nem seja interessante assim.
Há um tempo que não falo com meus pais.
Eu seleciono amigos.
Me desapego facilmente.
Com certeza, um dia te deixarei só.
Com rosas e um pedido de desculpas.

Talvez eu nem seja tão encantador assim.
Canto outras mulheres enquanto me declaro a ti.
E juro amor eterno para outra logo ali.

Na frente.

Sou panaca.
Um gentleman à moda antiga.
Um paradoxo imoral.
Bem desinteressante afinal.

 SINA

Nem só de bons poemas
vive o poeta. 
Mas de amores impossíveis,
devaneios múltiplos,
risos delirantes,
experiências invisíveis.

Nem só de bons poemas 
vive o poeta.
Mas de vôo de um pássaro,
do raiar de um dia, 
dos beijos dos amantes,
do amor não correspondido.

Nem só de bons poemas 
vive o poeta.

 FOI EMBORA

Não ligue para sua aparência.
Quem liga para isso é superficial.
Não ligue para o que os outros vão dizer.
Ou ligue.
E acabará se tornando um deles.
Cabelos crescem, cabelos caem,
cabelos são cortados.
Sua aparência só é importante para
as indústrias da beleza.
Que aliás, não sabem nada de beleza.
Se junte perto daqueles que te farão 
bonito pelo que és.
Não porque você tem o cabelo da moda,
porque sua roupas são de marca.
Ou porque sua conta bancária seja igual
a do Mark.
Pessoas que ligam para o seu material 
vão embora um dia junto com ele.
Pessoas que ligam para o que sente
permanecerão com você para a eternidade.
Existem pessoas que te olham fora dessa
casca que o mundo moldou.
E a elas eu transbordo amor.
 Um homem sem liberdade
entrou em minha casa,
sentou no meu sofá 
e fumou um baseado.

Reutilizado, mal
transportado,
chegar atrasado
desconta no seu sálario.

Mas dificilmente existirá,
embora eu saiba sem 
qualquer ordem aparente
fantásticos jogos de simulação.

Experimenta em si, 
o drama.
Sem trabalho manual.
 Nos tempos de Jesus,
eu vim EXU.
Meu coração não tem
coroa de espinhos,
no meio do peito.
Meu coração é forte,
com o sangue de mil
navios negreiros.

Então foi assim, eles
chegaram com as
mordaças e entregaram 
em minhas mãos.
Eu acabava de tornar-me
meus heróis.

Se Satanás mora na rua,
eu dormi com ele no chão.
Era ele porque as pessoas
não conseguiam nos 
encarar naquela situação.

Desligue sua TV, já não 
passa mais desenho.
Mas o programa da tarde 
ainda é apresentado por 
um palhaço.

Que nos faz rir enquanto
mostra meus irmão mortos.
Já diz o ditado, 
a passividade é 
aliada do opressor. 
 Eu queria o elefante branco,
apesar de que não sabia nada
de elefantes.
Muito menos o que comiam.

Eu queria o elefante branco
e quando não temos, criamos.
Fiz o meu o mais perfeito.

Elefantes ocupam espaço e
tem uma memória gigante.
Elefantes são fortes, e se emburrados
você não vai querer ver sua tromba.

Eu queria muito o elefante branco,
mas hoje quero mais não.
Eu só o idealizei, idolatrei,
nisso a distância aumentou.
Não senti seu abraço, nem 
sua presença.

Eu não quero o elefante branco,
quero agora saber como me livro dele.
 Acendo o baseado,
tenho uma ideia.
Tem um gato em 
cima do telhado.

O muro descascado e
e sua imagens subliminares.
A cigarra canta um lovesong
com um coral semitonado.
O grave do caminhão te 
coloca na viagem.
Algo diz:
-Põe 'Nó Cego"!

Essa história de existir 
me faz querer escrever
muita poesia.
Reacendo o baseado 
puxando várias vezes
para que a brasa 
acenda aquilo que fará 
minha cabeça.

É como Rheuter diz:
"Vai ver o nó foi eu quem deu".
 Vou para casa
outra vez.
Dobro a esquina 
e tenho toda a Rua da Amizade
só pra mim.

Estou em casa.

A descida para o Pe. Tore,
o Acesso 5.
No escuro da esquina 
algúem me espera.

- Kuririn!

Aceno com a cabeça,
chego em casa
e entro pela porta dos fundos.
 Disse a ela
que tudo o que estava
vendo, um dia, foi tudo 
ocupado, por casas, ruas
e palafitas.

Ela disse
que infelizmente não 
me conheceria por completo
pois jamais poderia
experimentar dessa sensação.

 CHAPADA

Trilhas
trilhas
e mais trilhas.

Muito chão pra pisar.

Os olhos tontos
com a imensidão 
da vista.

Pulo então de uma pedra.
Eu sou abençoado.
Hare, Hare
São Jorge.

Me dê um pouco mais
de suas mangas.
Você sabe do que 
estou falando.

Me molhe com o seu chá.
 Enumere
e eu lhe darei
vários
motivos para acreditar.

Eles te manipulam
e você 
como um animal(burro).

(Desculpas ao Burro(animal).)

Que domesticado por
um dono,
faz você carregar 
fardos diários.

E um chicote escondido
para quando lhe vieres 
o descanso.
Um cabresto vestido 
de conforto.

Eles estão perto de nós.

Amigos, familiares
e aqueles que acreditávamos 
que por causa do lugar
onde os conhecemos 
achávamos que eram dotados 
de alguma inteligência.

Ignorantes aqueles 
que não entendem as
referências.

 CHORINHO

Eu estava com 
uns amigos naquela noite.

E pulávamos 
uma marchinha de carnaval.

Avistei-a do meu lado,
abraçada ao seu novo namorado,
com um novo corte de cabelo.
E finjo que não ligo.

Eu realmente não ligo.

Então vejo o cara,
caçando entre o grupo,
quem deles sou eu.
Olho para o seu rosto
enquanto ela sussurra
no ouvido dele, alguma história
sobre mim.

Desvio o rosto
para parecer que não vi.

Quando retorno 
os dois não estão mais lá.
 Lobos na corrida,
já sabe o que vai fazer
amanhã?

Neste momento
só tenho palavras.
Sem nenhuma
propensão para o futuro.

Não me movo
e me julgo por isso.

Provalvemente eu irei adormecer,
serão as melhores horas da minha vida.
Se compensar, amanhã estarei vivo.
Um lástima.

Todo dia assim.
Uma renúncia para viver.
Vou dormir sem saber o amanhã. 
 A cena,
não existe.

O protagonista,
está morto.

O vilão, 
triunfa.

A plateia,
aplaude de
barriga vazia.

 Eu te vejo 
do outro lado
da rua.

Caminho só 
carregando muitos 
dentro da minha 
cabeça.

E rápido 
penso se queres 
que eu te comprimente.

Somos 
duas máquinas 
de problemas.

Não cabe
a nenhum de nós
sabermos.
 A última ponta do brau
queima entre meus dedos
e meu coração está aflito.
Por várias vezes 
tenho que reacendê-la.

Quero fumar até 
a última ponta,
deitar no chão.
Vagabundo fuleiro,
quero paz pro meu coração.

Não esquente 
alguém tem sempre 
um salve.

E tem outras coisas que te deixa feliz.
(você sabe.)

terça-feira, 7 de abril de 2026

 A cueca que pinga
por horas, não
me deixa escrever.

Os pingos invisíveis,
daonde estou nunca da para
saber quando caem direto
na sacola posta no chão.

Procuro por outras
coisas que caibam
no poema.

Então, de repente,
o pingo cai, iniciando
um novo looping
na ideia central do poema.

 As coisas mudaram e você não seria aceito se voltasse novamente. A Esperança, como nós se retira e diz: -É melhor ir embora daqui! Nem ela ...