quarta-feira, 8 de abril de 2026

 E o balanço, as pessoas, 
o mundo, me perdem.
Abro os olhos e o vento
passa e o pensamento
parte para outra viagem.
Sem casa, sem peito,
abrigo da alma.

O barulho do comboio,
uma boiada de ferro.
Mate-me quando chegar.

Quem eu era ficava escondido
por trás de algum gesto,
esperando um espaço para
mostrar quem realmente sou.
Eu mentia, machucava a mim,
como efeito, machucava os outros.

Eu queria a segurança de 
um lar dentro de mim.
Eu gritei e meu grito 
não era ouvido.
Eu escrevia e o que estava 
escrito, não era poesia.

Eu vejo que não sou para vencer.
Isso é para quem não nasceu em mim.

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