A primeira lembrança de existência que carrego comigo, eu devia ter três ou quetro anos de idade e estava em frente a minha casa na Rua da Amizade, onde morava com minha mãe, meu pai e meus irmãos.
A rua ainda era de terra e não havia calçada, nossa casa era feita de madeira e pintada de azul, separada por uma cerca do resto da rua.
Eu e Raelizo tocávamos uma bola, um para o outro. Raelizo toca a bola para mim e quando ela toca meus pés, era como se ela havia ligado-me. Primeiro a bola, e então meu olhos subiram e comecei a observar tudo em minha volta. Essa curiosidade me acompanharia pro resto da vida.
A partir daí, nascia uma necessidade enorme de observar as coisas, saber como funcionam, conhecer. Os primeiros que conheci foram as pessoas da minha família. Meus pais, Maria e Sebastião, meus irmãos, Sandrinha, Milane, Selma, Marcos, Raelizo e eu, Rafael.
Morávamos num bairro na periferia de Altamira, em terrenos de propriedade da Prelazia do Xingu, pagando mensalidades de alugueis populares. Era época que nosso terreno era imenso, cheio de árvores e plantas e havia somente a nossa casa no lote.
Altamira ainda era um pequeno município aberto no meio da amazônia e estuprado pela Transamazônica. Energia ainda era comandada por um gerador e tinha hora para desligar e as brincadeiras se esticavam noite à dentro pelas ruas.
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