MÁQUINA DE MOER CINZENTA
Então sobrou você,
para suportar a fúria dos meus
dedos famintos por poesias.
Alguns ainda batem em minha porta
em busca de notícias sobre os poemas
novos, em busca de vestígios de sua
presença, seja um rabisco.
Os dedos entram entre as teclas
ansiosos por palavras que siginificam
algo, seja talvez o sorriso da foto.
Você foi criada para mim,
mesmo enquanto permanecia sob os
cuidados daquela pequena senhora
que depois veio passar a sua neta
que vendera a mim.
Hoje você me suporta com esses dedos
ainda estranhos que muitas vezes lhe
faltam com cuidado.
E ainda te tornarás meu objeto de luxo
símbolo de minha existência,
objeto essencial para se conhecer
a alma do poeta.
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