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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Hoje quando comprei maconha
pela manhã,
quem me atendeu foi uma criança.
Se mostrou muito profissional
poucas palavras, recebeu meu 
dinheiro e me entregou 
a trouxinha.

Caminhei chapado por horas
me perguntando como 
chegamos aquilo?

Uma rede de exclusão,
que foi criada para matar
certa parcela da população
que na TV sempre aparenta 
ser perigosa, serviçal.

Vivemos à beira,
sem eira,
fazemos coisas que não
queríamos,
na maioria da vezes.
Um dia fui eu,
hoje é ele, 
e se não fizermos nada
serão ainda muitos
de nós.

Uma hora o efeito passará
e então eu o encontrarei 
novamente 
e tudo se parecerá 
se repetir.
Todas as noites quando deito,
eles seguram minha mão.
Carrego outros vinte loucos
comigo.
E todo dia eles me levam pra casa, depois de 
uma decepção.

O sistema cria sobreviventes 
que dormem à noite nas
calçadas da tua rua.
E você não vê.
Está preso à algo que tem medo,
que você não consegue soltar.
Você acha que não pode
fazer muita coisa
porque o sistema é mais forte que você.
Como conseguimos dormir tranquilos
sabendo as coisas que sabemos?

Outros vinte loucos que carrego comigo.
E toda noite 
quando deitamos,
eles seguram a minha mão.
Então era assim, sempre 
sobrava uma caneta e um caderno.

Daria tudo para estar no ônibus dela.
Uma angústia transpassou meu coração,
como acontecia sempre que via uma garota
pela qual estava apaixonado, indo embora
na direção oposta nesse mundo.

Me sinto otário, por confiar.
Um iludido acreditando que ainda acontecerá.

Os anais estão sujos.
Cheio de histórias mal contadas.
Vamos ter que parar uns dez anos 
e todo mundo junto, analisarmos
e resolvermos todos os equívocos.

Em cada palavra, um desabafo.
Em cada rima, coração.

Faço versos ao vento.

As ruas andam por mim e 
e choro lágrimas de uma
cidade doente.

Jovens e velhos, estamos
todos fudidos. 
Você volta, eu te dibro.
Trago o beck para me 
manter protegido.
E sei que as vezes só agrido. 
26 DE JULHO DE 2009

Diante do pé jambo
eu recebi um aviso:
NÃO SUBA NAQUELE CARRO.
Eu era jovem e só
tinha dezessete, não me
dava muito bem com 
avisos.

Estávamos na Princesa do Xingu.

Então a poucos quilômetros
para chegar na cidade, 
nossa caminhonete
capota.

Uma, duas.
Dez pessoas em cima
de uma L200.
Mais outras cinco
dentro da cabine.

O tempo de duração
entre o toque das minhas
mãos e o abrir dos meus
olhos.
Não explicam o espanto
de ver aquele carro dessas
duas formas sobre mim.

Salvo por uma erosão.

Fábio cortou os dois calcanhares.
Fabiano arregaçou a cara.
Thiago quebrou o calcanhar.
Cebola quebrou o braço.
Sorrayla desmaiou.
Três meninos da Serrinha 
foram jogados para longe.
Jubileu teve escoriações leves.
E aquela noite meu pulso
haveria de triplicar de tamanho.

Éramos os piores pacientes daquele dia.
Faziamos piadas das desgraças.

Minha mãe apareceu pouco
tempo depois, demonstrando
não ter se preocupado com nada.
E nem eu e nem ela
havíamos de saber explicar
porque em um momento
eu chorei abraçado a ela.

Na ambulância 
voltando pra casa,
lembro que não cago 
há quatro dias.
Minha mãe então diz: - Farei um chá para 
desinchar sua mão.

Então digo:
- Eu preciso cagar.
*
Eu passei um mês
naquele quartinho no Centro.
Eram vários inquilinos
no mesmo lote.
Onde o senhorio mantinha
um lanche na frente.

Nós atados, colados uns nos outros.
Nós que nos juntavam nesse universo.

Todas as noites quando eu
chegava, tinha aquelas pessoas
com suas latinhas, fumando
a incontável pedra do dia.

Vi eles agindo um dia
com todos os olhos em volta,
cegos.

Por trás do portão começava
a segunda fase dos rejeitados
da sociedade, todos eles viviam
em extrema guerra de sobrevivência.
Mesmo que fosse para tomar 
só uma latinha no fim
de semana.

Quando tínhamos só manga
e tudo era esperança.
Ouço o som 
do líquidos seminais
no meio do vuco-vuco.

A cabeça do meu pau lateja.

Antigamente
nos saraus, a maioria
delas ficavam 
com as poesias de amor.
Enquanto 
ela falava de 
sua boceta.

E dava vários 
tapinhas
sobre a mesma.

Era incompreendida na maioria deles.

Volto da lembrança.

Minha cabeça lateja.

Me recolho
e conto à ela.
Ela me fala que
não participa de saraus
porque nenhum
foi no setor dela.

Antes de calçar
os sapatos,
anoto.
Lembranças ruins
não nos deixam
gozar.
Sigo com palavras aleatórias
buscando que me venha
o que quero ouvir.
Você acredita em destino,
trapaças, bolinhas de gude
e que champignon não tem
gosto de nada.
É assim, pois precisas
ouvir algumas coisas
para se sentir.

O mundo mudou para
uma selva de pedra
e fomos reduzidos a
simples figuração da
história do mundo.
Causa, verso, destino,
coisas sem nexo para
que façam sentido em mim.

Não posso fazer muitas
coisas por vocês agora,
minha mente me segura
parado pensativo
nesta cadeira velha.
Um bando de pessoas,
somente elas,
foram capazes de cagar 
toda a merda do planeta.

Eles abrem a porta
do poeta sem pedir.
Vêm pelo cheiro.
Mando-os ao inferno.

Onde eles estavam quando eu tinha somente palavras para comer?

Vão se dias a fio
com esta dor
no peito.
Que desaflora em plena lua.
Passo outra noite
sem você do lado.
O amor é um daqueles
cortes que gostamos 
de ver sangrar.

E te pega ao meio-dia
de uma quarta-feira 
seca.

Mais tarde quando 
vence o dia.
Os elementos da casualidade,
não só pelo envelhecimento
material dos objetos artísticos, como sobretudo
pelas modificações provocadas pelas convenções efêmeras.
E outras mais profundas.

Também podem nos colocar
em trilhos errados.

Conheço poucos exercícios 
tão fecundos
quanto descrever simplesmente uma pintura.
E bombardeado por 
emissoras de rádio e TV 
regidas pelo princípio 
absoluto do lucro,
você se encontra numa
situação de grande miséria.
cultural.

Cada esquina da cidade 
sabe um pouquinho 
de nós.
Lá embaixo ainda temos 
o engarrafamento diário.
O caos já não estava 
só em mim.

Para todos os povos
e para aqueles que como nós,
lutam para fugir do 
subdesenvolvimento.
*
Lá fora o trânsito avisa
a temperatura.
O Centro está pegando 
fogo.
Depois de tanto tempo 
eu te vi mais uma vez
com um cara, que
parece ser normal.
Eu vejo em seus olhos,
que o feitiço que ele fez
o doce gosto pode te matar.
Como um ritual que há 
de se repetir para sempre.
As pessoas enchem o 
Centro e esvaziam a 
si mesmas em busca 
de algo que as satisfaça.
Quantas vezes preferimos 
tomar no cu, para não 
fazer outras merdas.
Procuro uma musa
para um poema,
mas que seja muito
além das letras.
Ainda se ouve a agonia
dos grandes poetas,
longe do grande Centro,
mesmo enquanto, todo
o resto estampa folders
e propagandas de casas noturnas da área burguesa 
da cidade.
Eram tempos que o fim
do mundo era todo dia.
Tempos em que a poesia 
não tinha palco,
não esperava por títulos.
Goiânia ainda era um Novo Mundo
e Altamira era a amada.
O corpo viaja
cerca de trinta vezes
por dia.

Diante de um
belo estofado
feito de pedras.

Na rua não existe luxo.

Jogar bets
fumando beck
para sair da bad. 
Corpos estranhos
que se encontram no
meio do estalo
da madeira.

Quero ver sua
desenvoltura. 
Outro dia,
éramos nós que
estávamos por cima
da carne seca.

terça-feira, 20 de março de 2018


Biqueira*

Eu sou tudo.
Eles dizem que sou nada.
Que vou ser nada.
À parte disso, boicotaram todos os meus sonhos.

Janelas do meu barraco.
Do meu barraco de um do milhões que você só imaginou
( E se pudesse ver, o que veria? )
Dais para o mistério de uma rua feita de pontes cruzadas constantemente
                                                                              [por sonhos esquecidos,
Para uma rua inacessível a nenhuma pavimentação,
Longe, impossivelmente longe, esquecida, desconhecidamente esquecida,
Com o cheiro do esgoto por baixo das pontes e palafitas.
Com a chuva a por umidade nas paredes e o povo em abrigos,
Com o Governo a nos prometer fundo e nós tomando na cara.

Estou hoje chapado, como se fumasse para esquecer.
Estou hoje lúcido, como se não tivesse fumado,
E tivesse problemas para resolver,
Senão uma loucura, tornando-se este barraco e este lado da ponte
O point onde bonde cola, e o corre começa
Fritando minha cabeça,
E o papel sacudindo meus nervos e rangendo meu dentes.
Estou hoje cansado, como quem trabalhou, estudou e bebeu.
Estou hoje dividido, entre a lealdade que devo 
À Biqueira do outro lado da rua, como coisa preocupante por fora,
E à questão do traficante ser meu amigo de infância como coisa salvadora
                                                                                                    [por dentro.

Tentei de tudo.
Como não tinha ensino, talvez tudo fosse equivocado.
A aprendizagem que me deram,
Foi sucateada desde o começo
Fui até a escola com grandes propósitos.
Mas lá só encontrei opressão e preconceito.
E quando percebi, já havia sido expulso.
Saio da janela e sento no sofá. Começo a viajar!

O que serei eu, eu que nada tenho?
Ser o que quero? Mas quero tanta coisa!
E há tanto que querem tantas coisas que não há tantas coisas para se querer
                                                                                                             [assim!
Esforço? Neste momento
Milhões de trabalhadores saem ao sol com sonhos simples como o meu.
E o sistema não poupará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá aposentadoria e nem ajuda para o pão.
Não, não creio no governo.
Em todo resto do mundo já se fala sobre a importância do programas sociais.
E eu que vi minha mãe comprando coisas com o Bolsa Família, vou ser hipócrita?
Não, não creio em mim.
Em quantas palafitas e favelas
Não estão nessa hora jovens como eu, sonhando.
Quanto sonhos honestos e sinceros -
Sim, verdadeiramente honestos e sinceros -,
E quem sabe realizáveis.
Verão a luz do sol real traduzido pelo ouvido da gente?
O mundo nasceu para conquistarmos
E não para no diminuir.
Tenho sonhado mais do que Luther King, sonhou.
Tenho apertado ao peito mais humanidades do que Mandela.
Tenho feito filosofias em segredo que nem Mbembe escreveu.
Mas sou, e talvez sempre serei, o maconheiro.
Ainda que mantenha a lucidez.
Serei sempre o vagabundo.
O que usava drogas.
Serei sempre o que pegou a última grana e comprou de brau.

E foi se divertir no chorinho.
Mandar uns free com os moleques.
Crer em mim? Não, em nada.
Derramo a 29 ardente sobre a garganta.
O seu pó, sua bala, o papel que se encontra debaixo da língua.
E o resto que seja usado com prudência para não ter overdose, se tiver, morremos
                                                                                                                        [fritos.
Escravos do Sistema.
Sonhamos com o mundo antes de nos levantar da cama.
Mas acordamos e ainda é escuro,
Levantamos-nos e temos que enfrentar ônibus cheio,
Saímos de casa e a violência do Estado nos rodeia.
Nos ônibus, nas filas, nos impostos.

(Drope um doce, pequena
 Drope um doce!
 Olha que não há viagem mais interior que essa.
 Olha que nenhuma religião te conectara com você mesmo, mais do que as drogas.
 Drope, pequena suja, drope!
 Pudesse eu ter dropado com a mesma idade com que dropas.
 Mais foi tarde, só aos dezenove tive minha primeira viagem.)

Mais ao menos ficam as lembranças
A loucura de escrever tudo isso aqui,
Algo que parecia impossível.
Mas ao menos consagro minha poesia ao meus,
Que muitas vezes foram esquecidos por padrões seus.

(Tu que persegues, que não tem argumento e por isso persegues,
  Ou filósofo grego branco, concebido como grande pensador.
  Ou gládio romano, impossivelmente herói.
  Ou grande Cabral, descobridor de nossas terras.
  Ou princesa abolicionista, feita de equívocos.
  Ou ditadura militar do tempo dos nosso pais.
  Ou um bolsominion moderno - não concebo outro termo -
  Tudo isso, seja o que for, se pode ser
  Não seja!
  Meu coração é um balde de sonhos.
  Como meus antepassados eu canto,
  Com saudades da terra amada.
  Chego a janela e vejo outras palafitas.
  Vejo as tábuas velhas, as pontes quebradas,
  Vejo as crianças tomando banho na água suja,
  Vejo os cães que latem
  E tudo parece simples.
  E tudo é equivocado, como tudo.)

Roubei, amei e até trafiquei,
E hoje não há universitário que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um a hipocrisia e a mesquinhez e o privilégio,
E penso: talvez nunca roubaram, nem amaram, nem traficaram.
(Porque é possível fazer tudo isso sem querer fazer nada disso.)
Talvez tenha acontecido apenas, como a polícia apreendendo armas.
E o que é a polícia, se não a própria fornecedora.

Fiz de mim o que deu.
E o que deu, estou satisfeito.
A roupa que visto é largada.
Conheceram-me como delinquente e não desmenti e perdi-me.
Quando fui pego.
Estava em uma cela,
Rodeado de bandidos, chapados
Com o beck que tinha bolado.
Dormi num canto com outros vinte
Numa cela pequena.
E vou escrever está história para provar que eles existem.

Essência crucial desse governo corrupto,
Quem me dera poder salvar toda a quebrada,
E não ficasse sempre na Biqueira da frente.
Fumando beck todo dia,
Como um rastafári fervoroso,
Ou um cracudo que todos rejeitam.

Mas o Dono da Biqueira chegou.
Olho-o como se fosse a última vez.
E o desconforto de perder o salve.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele de troca de tiros, eu de bala perdida.
A certa altura, mataram todos os que conhecemos.
Depois derrubarão todas as palafitas que moramos.
E as gírias que usávamos.

Sempre um de frente por outro.
Sempre erra e nunca com razão.
Sempre tão inútil quanto o outro.
Sempre tão excluído como a imagem que lhe representa na televisão.

Mais um menino chegou a Biqueira (para comprar pedra?)
E a realidade é escancarada em minha cara.
Levanto desacreditando no que vejo
E resolvo registrar em verso o que vocês não acreditariam.

Bolo um beck e penso no que escrever
E sinto o gosto leve sem amônia,
Contemplo a fumaça, a viajar
E chapo, num momento único,
A calma de todas as ansiedades.
E a consciência de que o sistema permanece em consequência da nossa passividade.

Deito-me no sofá.
E ainda fumo o baseado.
Enquanto existir maconha, continuarei queimando.

(Se eu casasse com a filha da vizinha
 Talvez já tivesse um filho.)
Viajo e levanto do sofá. Vou à janela.
O menino saiu da Biqueira (entocando as drogas dentro da bermuda?)
Eu o conheço: o chamam de Sombra sem saberem seu nome.
( O Dono da Biqueira me olha.)
Me olha como se não falasse nada.
Então gritei-lhe, ó menino!, e a Blazer preta
Passou veloz e sem vê-lo e o Dono da Biqueira correu.


Rafael Vaz.


















sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Quem é ela?
Que me encanta
com todas as cores,
que fala de outros amores
e fuma um beck
como ninguém.
Outro dia,
à vi em uma roda
passando a bola.
Pita um brau
é moleque piranha
chavosa.
Diz que tem outros desejos
quer provar outros beijos
e se me tenho em nervos,
acende um pra nós fumar.
Ela tem outros planos
talvez eu viva um engano,
tudo isso uma farsa,
esse "BUM" quando você passa.
Vou bolar outro beck
te chamar pra fechar,
quem sabe, por destino
ou simples desatino
que eu criei
pra essa rima não
quebrar.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

MINHA POESIA
Eu era capaz de chegar
ao extremo.
Desde o princípio fora assim.
Ao pensar, era poeta.
Eu não escolhi esse caminho.
Eu não estudei.
Um dia, estava pronta
na minha cabeça e
fizera eu como se já
fizera isso há muito tempo.
E foi e tem sido até hoje.
Era minha criação,
meu mundo, aqui
ninguém me podia censurar.
Julgar até podia (eles faziam
às escondidas), mas
censurar jamais.
Eu vomitava cada palavra.
Eu juro, que vomitava cada
palavra daquela.
Os que liam não entendiam
e os que entendiam me
davam o silêncio como
resposta.
Era puro vômito.
Não há nada de bonito
nesta porra.
Puro sentimentalismo
barato, mal ingerido
e bem vomitado.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

*
Chorume
era só o que se sentia
por onde passava
o zerovinte.
A bebida pesava
dentro
do copo.
Vintenove motivos.
Desço o longo caminho
da tua casa.
O sistema têm um plano
para todos.
Bati trinta&duas vezes
minha cabeça na parede.
Longas caminhadas
para uma porta
fechada.
era mais uma
daquelas
feiras que os burgueses
faziam para
você vender sua arte.
eles consumiam
porque era legal
ler marginais,
era cool.
então eu consumia
maconha
para poder me acalmar
e não dar um belo
de uns tapas na cara.
para ver se percebiam
o mundo que
vivemos.
a vida às vezes
tinha esses momentos
nojentos,
que só a lombra do brau
me faziam
sobreviver a eles.
*
por várias vezes questionei
meus poemas, minhas ações.
já quis parar.
a vida cheia de coisas boas,
maravilhosas, estava
em desvantagem contra
as coisas que os homens
faziam para controlar
sua vida.
o que você deve fazer,
o que você deve ter,
eu estava sendo engolido
por tudo isso.
por todos.
você senta na calçada
e espera que algo aconteça
e nada acontece
e você cria um deus
e reza a ele
e ele te manda esperar,
porque primeiro ele também
precisa existir, já que os homens
também o corromperam.
as horas passam
e sua vida não muda
e você não consegue se
mexer porque o mundo
já está pronto para te
dar o próximo soco.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Pela primeira vez
pego alguém me olhando.
Devolvo o olhar e
agradeço com um sorriso.
Passa um carro amarelo
e perco os olhos de vista.

Tive que aprender
a lidar com aquilo
que nasci pra ser.
Saber que todos os dias
chegam novas pessoas
em Goiânia e muitas
delas não sabem usar o sitpass.
Me acostumar com o Sol
amarelo que veio atras
de mim, la de Altamira.

Tempos difíceis na terra do pequi.
Eu não gosto de pequi.
E pensar em quantos você
também levou para aquele
beco pintado com suas historias
de amor.
Ser o expectador de mais uma,
não foi muito bem o que pensei.

Procuro nos becos
e você já não vai
mais aos becos.

Fiquei preso em uma rua sem saída.

quinta-feira, 30 de março de 2017

MATAM, MATAM,
MATAM, MATAM
MATAM, MATAM

TODOS OS POETAS

MATAM, MATAM
MATAM, MATAM
MATAM, MATAM.
*A NOSSA LIBIDO
Demente
meus dedos escorrem
por entre seus
lábios.
Um gemido silencioso,
expressivo.
Sua mão toca meu corpo
num movimento repetitivo
que me acende.
Beijos molhados
enchem minha boca
de um fluído
que só você produz.
Um veneno
capaz de me transformar num animal.
(qualquer animal que quiser)
Que sobe em você
e lhe faz soltar
gemidos que talvez
não quisesse que os
outros quartos ouvissem.
Por um momento,
"estar dentro de você"
não é só figurativo,
e você percebe
e você diz:
- Fode... Fode... !
Começamos uma sessão
de onomatopeias:
PLOC! PLOB! TAP! TAP!
TUM! TUM! NHEC! NHEC!
E você grita meu nome
bem alto.
É a anunciação do poeta.
Você abocanha meu pau
e engole o sumo,
a poesia.

 acho que posso fazer  mais páginas. me espremem até  eu voltar para essa atividade. é bom,  porque aí você  conhece quem está por trás  das...