Eu passei duas semanas
naquele quartinho no Centro.
Eram vários inquilinos
no mesmo lote.
Onde o senhorio mantinha
uma lanchonete na frente.
Nós atados, colados uns nos outros.
Nós que nos juntaram nesse universo.
Todas as noites quando eu
chegava, tinha aquelas pessoas
com suass latinhas, baforando
a incontável pedra do dia.
Vi ele agindo um dia
com todos os olhos em volta,
cegos.
Por trás do portão começava
a segunda fase dos rejeitados
da sociedade, todos eles viviam
em extrema guerra de sobrevivência.
Mesmo que fosse para tomar
só uma latinha no fim de semana.
Quando tínhamos só manga
e tudo era esperança.
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