segunda-feira, 20 de abril de 2026

 acho que posso fazer 
mais páginas.
me espremem até 
eu voltar para
essa atividade.

é bom, 
porque aí você 
conhece
quem está por trás 
das letras.

 ela tinha essa constume 
quando recostave-me 
se aproximava de costas 
e encaixava sua bunda
na altura certa do meu pau 
então encaixava-a 
com os meus braços.

um dia, foi na porta 
da igreja.
as velhinhas passavam 
fingindo não ver.
não contente,
virou-se de frente e 
começou a beijar-me o pescoço,
e passar as mãos no meu 
pau já armado.

sinto a voz da santa
dizendo:
- vão para trás do Cruzeiro!
 garrafas me protegem,
fumaças me escondem.

finjo para todos que conhecem 
e escondo verdades tão intímas
só pra mim.
saboto minha solidão 
à procura de alguém 
finjo ser normal.

já quis sair por aí 
caminhar a esmo. 
mas sei que decisões assim 
não me levariam aonde quero chegar.

a caminho do teu abraço.
 mais um quarto
mais uma poesia
e você está só
nas letras.

você sabe 
onde queria estar
no meio das suas pernas
lambendo sua buceta.

haja carinho 
mas entre a gente
só rola treta.

tesão no olhar 
queria te beijar 
mas a gente só 
se respeita.
 Tu que já foi um dos grandes. 
E que hoje quase todos os economistas 
consideram atrasado.
Nunca esteve preparado.
Se juntar tudo, será 2% do PIB.

Nós também perguntamos a Veloso,
quais serão as consequências dessa crise.
You don't know me.
Um combate a recessão e a depressão.
De novo, é o seguinte, se repetir tudo...
Sem sentido, contraditório mesmo.
E nessa altura do campeonato sem 
gol do Gabigol, só bola fora do Bolsonaro.
Daqui a pouco, o perfil do artistas
afetados pela Covid-19.

E dessa vez, eu ainda tenho 
uma casa. 
 Eles fecharam a porta de novo.
Colocaram a gente para fora.
E a noite não acabou.

Mixaria para quem tem fome,
sangue e sede de justiça.
Encarávamos a Tático,
andávamos em bando.
Enfretar a gente era ter certeza
de que teria dor de cabeça
a noite inteira. 

 NADA

As vezes quero escrever, 
então eu sento,
pego caneta, papel,
coração e pensamento
e nada.
Bebo, fumo, 
escuto música,
faço os rituais 
dos escritores 
e nada.
Nado na inércia,
no vazio da existência,
o que  vou fazer?
Não sei fazer outracoisa.
Nada.
 O mundo está fudido, amor.
veja na televisão.
ouça o som que vem do vizinho
isso te faz sentir-se em casa.
Não é você que não gosta
deste tipo de música.
Você só não está na vibe.
Aprenda a escutar, 
de alguma forma isso ajuda
na hora de falar.
 Passou o dia inteiro 
dobrando as roupas
e o choro escorria
com calma que fazia
todos aqueles movimentos.

Um guarda-roupa cheio, 
o que fazer com tudo isso?

quarta-feira, 8 de abril de 2026

 As coisas mudaram
e você não seria aceito
se voltasse novamente.
A Esperança, como nós
se retira e diz:
-É melhor ir embora daqui!
Nem ela acredita
que aconteceu com o nosso
estado de bem-estar social.
Segurávamos as mãos, mas
quebrávamos as mãos dos colegas.
O cinema nos mostrava o que acontecia.
Vivíamos em um lugar silencioso, com uma caixa de pássaros.
 Eu já andei e cansei
um tempo atrás.
Sem teto, quase louco,
era só um rapaz.

Já sem paz, eu sentia a guerra,
e diante da morte, saudade da minha terra.
Cadê a salvação que estava aqui?
Talvez esteja na entrelinhas 
do que já vivi.
E o que senti.
Ficará em minhas vistas
fadigadas que a terra há de deglutir.

Então veja como são os planos.
Em meio a crise, quem cresce são donos de bancos.
Que ninguém se senta e você até tenta.
Se quiser se aposentar, só se você for se tentar.
 Acho que sou observado
pelo BBB de Deus.
Que usa os olhos do Bem-te-vi
como câmera, para me ver
maldizer no meu quarto coisas
que me coloquem em um paredão.
 Árvores secas junto a mim,
transmitem o sentimento
da minha poesia.
Correspondente as folhas tortas
que representam aqueles que não se indireitam.

Sento no meio do quintal
para fazer desenhos que não sei.
Sufoco sentimentos no trago do brau
e espero que ele me leve pro lugar 
onde eu não penso.
Falho!

O primeiro dia do ano é 
cheio de novas decepções.
 É perverso o mundo que vives.
Cachoeiras a por água abaixo.
Não tem mais a casa que resides
e a vida parece um fardo.

Você quer ter uma arma, 
procura vingança.
Seu mundo é uma praça
e a vida parece uma gincana.

Nesta vida não temos transporte,
vendemos matéria-prima.
Eles nos vendem a morte
e o que me faz vivo é a poesia.
Verdades absolutas,
quem disse que você vivia?
Escravos do dinheiro,
quem diria?

Haja com sabedoria
pois vem chegando a hora.
Aprendar a chegar e 
saiba a hora de ir embora.

O principal conceito da naturezaé evoluir.
Quantas vezes me virei pra sobreviver.
Algumas vezes só tinha palavras pra comer.
Vários nós na garganta, eu quase desisti.
 A primeira lembrança de existência que carrego comigo, eu devia ter três ou quetro anos de idade e estava em frente a minha casa na Rua da Amizade, onde morava com minha mãe, meu pai e meus irmãos.
A rua ainda era de terra e não havia calçada, nossa casa era feita de  madeira e pintada de azul, separada por uma cerca do resto da rua.
Eu e Raelizo tocávamos uma bola, um para o outro. Raelizo toca a bola para mim e quando ela toca meus pés, era como se ela havia ligado-me. Primeiro a bola, e então meu olhos subiram e comecei a observar tudo em minha volta. Essa curiosidade me acompanharia pro resto da vida.
A partir daí, nascia uma necessidade enorme de observar as coisas, saber como funcionam, conhecer. Os primeiros que conheci foram as pessoas da minha família. Meus pais, Maria e Sebastião, meus irmãos, Sandrinha, Milane, Selma, Marcos, Raelizo e eu, Rafael.
Morávamos num bairro na periferia de Altamira, em terrenos de propriedade da Prelazia do Xingu, pagando mensalidades de alugueis populares. Era época que nosso terreno era imenso, cheio de árvores e plantas e havia somente a nossa casa no lote.
Altamira ainda era um pequeno município aberto no meio da amazônia e estuprado pela Transamazônica. Energia ainda era comandada por um gerador e tinha hora para desligar e as brincadeiras se esticavam noite à dentro pelas ruas.
 São campinas, configuradas sob
processamentos de dados.
O jogo do verbo final,
a carnificina dos sentimentos,
bole um,
dois, quantos achar necessário
e você verá que a lombra não muda.
Seria a mesma de dois pegas.

Eu corri a Goiás inteira
e encontrei dez peças
que facilitaram minha permanência
e configurei-me de volta a vida real.

 MÁQUINA DE MOER CINZENTA

Então sobrou você,
para suportar a fúria dos meus
dedos famintos por poesias.
Alguns ainda batem em minha porta 
em busca de notícias sobre os poemas
novos, em busca de vestígios de sua
presença, seja um rabisco.

Os dedos entram entre as teclas
ansiosos por palavras que siginificam 
algo, seja talvez o sorriso da foto.

Você foi criada para mim,
mesmo enquanto permanecia sob os
cuidados daquela pequena senhora
que depois veio passar a sua neta
que vendera a mim.

Hoje você me suporta com esses dedos
ainda estranhos que muitas vezes lhe 
faltam com cuidado.

E ainda te tornarás meu objeto de luxo
símbolo de minha existência, 
objeto essencial para se conhecer 
a alma do poeta.
 Era assim
todos os dias um
quem sou eu ?

Maldito existecialismo 
das pessoas
que pensam.

E minha gata
toma seu banho 
de língua.

Sentidos
sejam quais forem eles,
de vazio eu 
entendo.

E meu amigo 
se queixa como eu 
e parecemos sempre
pessimistas.

Minha gata
deita sua cabeça 
em minha mão.
E tudo parece
fazer sentido.

Então logo 
ela se lança
em mais uma
caçada.
 Eu sempre estive perdido,
nunca me encaixei.
Desde sempre me procuro
e nunca me achei.

Perdido, rodei todo os lugares
para experimentos, conheci e 
aceitei todas as diferenças.
Mas a maior diferença estava em mim.

Eu era o único cara que eu
conhecia que escrevia poemas.
Todos os outros estavam escrevendo
artigos, resenhas, textos no Facebook.
Enquanto eu, diminuia palavras
e tentava ser direto para que me entendessem.

Hoje não entendem o porquê
que não ligo para a grana que
posso gerar com a poesia. 
Talvez nunca tenham sido poetas,
apenas comerciantes.
 Quem vai dizer que tudo
se acabou, olha aquela pomba,
veja como voou.

Bebi uma dose refinada 
de um uísque comprado
no Rajastão.
É o teu doce beijo que me 
lembra das pequenas e belas 
coisas que guardo no coração.

Quando fostes ao supermercado,
eu pensei em fazer uma surpresa 
para você.

Aquele tempo era bom para todo mundo.
A gente só pensava em ficar junto.
Se amando a noite inteira.
Tomando banho de banheira.

Agora vê se me esquece, 
nosso lance não se repete.
Eu tô amando a festa inteira,
dizendo um monte de besteira.

 acho que posso fazer  mais páginas. me espremem até  eu voltar para essa atividade. é bom,  porque aí você  conhece quem está por trás  das...