quinta-feira, 6 de novembro de 2025

  ÚLTIMO POST

Termino meu último poema, mais uma vez é para ela. Coloco-o contra a luz que entra pela janela. Lá fora vejo muitos iguais a ela. É onde entra meu desespero, como vou conseguir fugir, escapar dessa decisão que me cega? Lembro que há alguns dias eu já venho preparando minha partida, pra longe desse mundo, a procura de um lugar, onde possa me encontrar. Permaneço nos mesmos erros, encontro sempre os mesmos, choro como sempre.
Com uma síndrome de Cireneu eu sigo carregando não só a minha, como também a cruz dos outros. Meu fardo pesa.
Resolvo parar de escrever, meus dedos já doem. Já não quero ser mais visto, quero viver de encontros casuais, que não pretendo me esforçar para acontecer. Vou arrumar minha mala, levarei comigo pouca coisa.
Escova de dentes, um sabonete, três camisas, uma calça jeans e tênis. Vou a pé mesmo, não estou com muita pressa pra chegar aonde estou indo.
Meus cadernos ficarão para trás, junto com um monte de livros. Deixarei pra trás também meu coração, que um dia dei para ela e por vergonha não irei pedi-lo de volta. Digo adeus para o nada, como sempre estou sozinho, trancado num quarto onde tudo está jogado. Me despeço das paredes que por muito tempo foram meus ouvintes.
Aplaudiram quando cantei, choraram quando recitei e me abraçaram quando precisei. Logo elas, pálidas e sem vida.
É uma despedida não muito feliz, como se fosse a morte do coadjuvante no final do filme. É como um BBB a cada nova edição. É como dia de ontem que já passou.
Eu fui, não sabia que o final seria assim. Sempre fui otimista em relação ao fim, a Disney me alienou por anos. O Chaves também.
Tchau.

 RENATO

Tínhamos mesmo todo o tempo
do mundo.
Hoje somos instantes,
somos usados quando querem,
não temos vontade.
A tempestade ainda não passou.
Eu já não sou mais dois,
e duvido que vivenciarei as quatro estações.
Renato,
nada mudou, mas está tudo assim
tão diferente.
Não lembro mais da gente e
já nem tento mais, desisto.
Logo você que nos ensinou tanto
morreu sozinho e solitário.
Como eu posso conseguir?
Saudades,
porque aqui em baixo já
não fazem mais pessoas como
você.

 A FOTO

Talvez fosse aquilo o amor.
Você poder olhar para uma foto,
e ver na pessoa uma perfeição,
algo que sempre te faz sorrir,
mesmo que ela esteja tão séria
na foto.
Era um jogo de luz,
roupas, corpo, cabeça.
Era eu. talvez.
Talvez fosse aquilo o amor.
Você poder olhar para um foto,
e ter certeza que você é capaz
de esperar uma vida inteira,
para que ela seja sua.
Talvez seja isso amor.

 MEU AMOR

Por ela
era platônico,
socrático e aristotélico.
Era os ombros dela,
combinado ao belo par de seios.
Freud explicou.
Por ela, com certeza
Nietzsche chorou.
Chegou quebrando tudo
inclusive a morada da filosofia.
Meu amor não era impossível,
era improvável.
No rádio, o Roberto falou
sobre detalhes.
retruquei-lhe com paráfrases.
Mesmo com a filosofia,
não era para mim
que ela sorria.

 FESTA NO ZÉU

Campina Grande.
São João.
Quadrilha pra dançar.
Cabelos, parceira.
maconha a fumar.
Viagem, mão dadas.
Não deixe o tempo parar.
Bem vestido velho moço.
Você à la gótica suave.
O casamento devia ser nosso
era nós em destaque.
Uma Cinderela as avessas.
O moço com pressa.
Última dança,
segurei suas ancas.
Gonzaga nos abençoou.
o xaxado, o baião.
Bem coladinhos
para ouvir o coração.
À meia-noite tudo normal.
Amanhã vou procurar minha ninfa
e ela seu agroboy.
Junho passou
a festa acabou.
Ano que vêm é nós de novo.

 MEU AMOR É BUENO

Falar e não ser ouvido.
Gritar e jamais perder a voz.
Bravo. Corajoso. Instantâneo.
O fim não poderia ser diferente.
O que pode mudar o curso de tudo?
Caracóis enfeitam sua cabeça,
entram em minha boca enquanto
à beijo.
Distância.
É o que existe entre nós.
Idade. Estudos. Mundo.
"Deixando a profundidade de lado
eu quero é ficar colado a pele dela
noite e dia."
Acordar cedo e ver seu rosto ao natural.
Poder ver os primeiros raios de sol
emoldurando sua pele
e seus lindos cabelos ruivos.
Parei em meu caminho
esperando você.
Tenho comigo flores,
esperança. Saudade.
Tenho comigo um amor,
para quando você chegar.
Falo, grito
para todo o mundo
o quanto quero você.
Até o resto da minha vida.

 O FIM

Passara a vida inteira
pensando em como escrever
a poesia perfeita.
Andara buscando todos
os meios.
Musas. Cotidiano. Alucinógenos.
Quando se sentiu só
mudara de cidade,
pessoas novas tão antigas.
Mesma experiência de formas
diferentes.
Novo amor. Bebida e Saudade.
Vivia em busca da poesia perfeita.
Aquela que poderia alavancar sua carreira
em duplo sentido.
A poesia do Jabuti.
Uma amizade sincera com o Marcelino
ou Sérgio Vaz.
Palestras. Lançamentos. Um pouco de bebida grátis.
Buscara sempre a poesia perfeita.
Comer várias mulheres, mas sempre
deitando-se com a mesma.
Procurara sempre a mesma em várias.
Nunca chegara a poesia perfeita.
Não falava com parentes ou pais
há um bom tempo.
Porém em seu coração carregava
amor por cada um. Aquele de não esquecer.
No fim.
O que restara foram poucas rugas
de seus pequenos 23 anos. Um calvície iniciada.
Discografia de Belchior para um flash-back,
lembranças de uma vida retirante
Mãos. Vermelho. Pôr-do-Sol.
Amor.
Último sentimento.
Última tentativa otimista,
talvez minha poesia perfeita
seja a morte.

 acho que posso fazer  mais páginas. me espremem até  eu voltar para essa atividade. é bom,  porque aí você  conhece quem está por trás  das...